20.7.17

Este post é capaz de chocar e não é por ter uma gaja desnuda.



Vocês que batem os olhos numa grávida e acham assim a coisa mais fofinha do mundo e dão convosco a pensar que adorariam passear aquela barriga e desfrutar de tal estado de graça, não desatem já a pinar como se não houvesse amanhã.
Leiam o que tenho para lhes dizer.
A não ser que se chamem Carolina Patrocínio não acreditem quando vos dizem "estás tão linda, só tens barriga". É mentira!!!! A verdade é que tens celulite em doses cavalares, mamas que envergonham a Pamela Anderson em Baywatch, gengivas inchadas que vão sangrar sempre que escovas os dentes, dores ciáticas que te percorrem a lombar até aos glúteos...espera... glúteos??? Qual glúteos? A não ser que sejas a Blaya também deixas de ter glúteos. Xixi... passas a acumular xixi. Basta o gole de água que deste só para tomar a vitamina e corres desenfreada para a sanita. À noite piora. O meu recorde foram seis incursões nocturnas à casa de banho.
O umbigo é esta coisa maravilhosa que vêm na imagem. Na minha casa dizemos que é a campainha que nos permite comunicar com a criatura. E já que chamamos a dita cuja à conversa, por esta altura deve ter encontrado um trampolim nas minhas entranhas e julga-se Simone Biles em barras paralelas em preparação para o ouro olímpico.
Lembram-se do Popas? Aquele passarão amarelo, meio parvo, da Rua Sésamo. Foquem-se nos pés dele. Os vossos ficarão assim. Ok, não mudarão de cor, refiro-me ao tamanho. É provável que aumentem um número no calçado. Meninas que já calçam 39, estamos juntas ah!
Finalmente, temos de falar de sexo. Nananinanão, não me refiro ao sexo da criança, por aqui já toda a gente sabe que só nos assiste gajedo. O sexo, propriamente dito. Chegadas a esta fase esqueçam lá os kamasutras desta vida e as vossas posições preferidas. Belly is the boss que é como quem diz fazes como a barriga te deixar fazer.
É maravilhoso o terceiro trimestre.
E a azia? Já falei na azia?

28.6.17

O que tem a gravidez a ver com o Salvador Sobral?



Enquanto esperava para colher sangue apercebi-me do alvoroço em torno de qualquer piada do Salvador Sobral. No concerto solidário pelas vítimas dos incêndios, os portugueses - ou a maioria dos portugueses que estão na rede - queriam pegar no homem que há pouco mais de um mês lhes devolveu a esperança e pegar-lhe fogo. Queime-se já o infeliz que teve a ousadia de brincar depois de mais uma actuação brilhante e que se foda que há uma semana tenha sido o primeiro a ceder toda a receita da venda do seu álbum no concerto de Ourém.
Não descortinei imediatamente a piada porque os utilizadores da rede, mais importados com a discussão às tantas já se atacavam uns aos outros desviando-se do tema, até que uma alminha decide publicar na íntegra a flamejada observação, "vocês aplaudem tudo o que eu faço, vou dar um peido e ver o que acontece". Aconteceu que aplaudiram.
Primeira observação: não entendo tanto alarido porque desde que começou o fenómeno Salvador sempre se percebeu que o puto se estava a cagar.
Segunda observação: é nestas merdas que os portugueses se espalham. Somos um povo do caraças num país do caraças. Tenho um orgulho imenso no meu sangue lusitano, mas a nossa pequenez reflecte-se - ainda - na incapacidade de nos rirmos, especialmente se for de nós próprios. Continuamos a ser um povo fechado entregue às dores que carregamos nas cruzes como se uma gargalhada estridente fosse presságio de um destino maldito que se cumprirá dali a um par de horas. Parece que estou a ouvir a minha mãe, "vai-te rindo rapariga, olhe que é mau sinal".
Na minha modesta opinião a piada do Salvador foi pura humildade de quem ainda não encontrou o seu lugar no carnaval da fama, "porra eu não sou ninguém, não faço nada demais e vocês aplaudem...deixa cá ver se der um peido...". Onde é que isto fere??? E atentem que estou grávida com a sensibilidade nos píncaros, ainda ontem chorei com um excerto da Bela e Monstro.
E agora, perguntam vocês em coro: e o que tem o Salvador a ver com a gravidez? Nada, mas foi o pretexto que encontrei para uma queixa que está há mais de seis meses a provocar-me comichão e que tem a ver com as pessoas. Lá terei que me repetir novamente, os portugueses são maravilhosos, mas depois há questões para as quais não estão ainda devidamente sensibilizados ou não desenvolveram ainda sentido cívico e isto nota-se tanto mais nos aglomerados populacionais menores.
Passo a explicar, estou pelos cabelos de me sentir invisível, mormente nas filas dos supermercados, mas já me aconteceu em todo o lado, até debaixo de um calor de 40 graus com seis pessoas à minha frente para levantar dinheiro. Chega a ser parvo o esforço que fazem para não mexer a cabeça e darem com uma monumental barriga. Quase não pestanejam, não vá dar-se ali um estrabismo qualquer que os leve directos ao ventre de uma mãe em sofrimento que a única coisa que queria era ver cumprido o seu direito ao acesso prioritário.
Entendo que em grande parte da gestação nem seja perceptível e que dependa muito da grávida querer beneficiar da prioridade chamando a atenção dos responsáveis, mas nesta fase???? Não basta o tamanho da barriga ainda lhe juntámos a respiração ofegante e as mãos na anca só para não as levantarmos a todos os santos pela alma desses pecadores indiferentes a quem carrega vida.
Já me aconteceu reclamar a minha prioridade, o operador de caixa pedir-me que avançasse e ter quem me interpelasse, "passou à frente porquê????? Ai.... está grávida, gravidez não é doença". Levares com uma pescada congelada nos queixos também não é crime em legítima defesa, pois não.
No início da gestação, uma funcionária de um supermercado cujo nome não vou revelar, mas adianto que começa e termina com um L, disse-me que a prioridade só se punha a partir dos cinco meses!!!! Ah????? Tem cinco segundos para chamar o seu superior.
Li recentemente uma grávida de Lisboa a escrever precisamente o contrário, que desde que no final do ano o decreto lei foi actualizado com penalizações mais severas as pessoas estavam mais sensíveis e conscientes dos deveres cívicos e que em nenhum momento da sua gravidez tinha tido uma má experiência. Bom, infelizmente, estando eu na terceira gestação não noto, absolutamente, nenhuma melhoria comparativamente com 12 anos atrás.
Portugueses, nós somos um povo do caraças, mas conseguimos ser ainda melhores. Mas, isto sou eu que digo, não venha daí nenhum bife criticar o meu povo que não respondo pelas minhas hormonas.

22.6.17

O nome!



Como sabem, achei que carregava genes masculinos e assente no género não havia dúvidas relativamente ao nome da cria: João.
Raramente, uma alma mais afoita confrontava-me com a questão, "então e se for menina?". Revirava os olhos e fitava-a com a mesma compaixão que fitava os estagiários quando me perguntavam se deviam colocar pontos de exclamação no final de uma frase. Menina?! Mais depressa trago na barriga um unicórnio do que uma menina. Eu sou assim, tenho um lado pomba gira adormecido.
Minha rica criatura, a mamã estava em negação. Meninos??? Nem pensar. Figuras cheias de asteróides anabolizantes, de pernas ligeiramente abertas espalhadas pelo quarto. Cabelos sem laços. Rostos pálidos sem pingo de blush. Não ia dar.
Se eu pudesse cobria o mundo a trincha cor de rosa. E é neste mundo de (mãe de) meninas que me revejo.
Quero para a nossa filha (e para as outras que já partilhamos) que sonhe abrir portas para ir para a escola montada num unicórnio brilhante com uma saia de tule e um rastro de estrelas ao mesmo tempo que uma cauda dourada lhe traça o caminho descrevendo formas florais cheias de purpurinas e brilhos.
O nome? Maria João. What else?

#MaryJane
#umdiateriaoutr(a)Joãonaminhavida
#Pai

12.6.17

As grávidas não são/estão gordas!

Homens desta vida, repitam comigo: as grávidas não são/estão gordas!!!!! Mas, façam-no conscientemente. Inspirem. Expirem. Fechem os olhos em consentimento e interiorizem essa merda. As grávidas são grávidas! As gordas são gordas e resultam, na maioria das vezes, de um processo de acumulação de gordura. Nós, as grávidas, resultamos de um processo totalmente diferente. Não querem que explique o processo da concepção, pois não?!Aumentámos porque cresce vida dentro de nós. É um estado de gestação temporário (cerca de nove meses) que termina com o nascimento da nossa cria.
O homem adora chegar ao pé de mim com o ar mais ternurento que consegue e lançar pérolas do tipo, "ó minha gorda, estás bem?". Ontem, mesmo ao deitar-se decidiu inovar no romantismo, "estás cada vez mais parecida com um panda, tão redondinha". Se eu não soubesse que seria encontrada numa vala cheia de insectos em decomposição espetava-lhe um alfinete no olho. E por esta ocasião ainda não tinha lido o maravilhoso comentário que me deixou no facebook a propósito desta foto:



A modos que gostava de pedir a vossa colaboração e os vossos contactos para três senegaleses de bom porte darem uma tareia ao meu homem.
Fico eternamente grata.

9.6.17

Amizades.


É um vale tudo verdadeiro, derradeiro e puro. Não é canto escuro, mesmo no lado obscuro de quem não esconde nada. A amizade não procura paridade, igualdade ou semelhança, é só afecto puro, sentimento duro, verdade sem agonia ou vaidade.
Não interessa idade, não tem que ser antiga, é apenas como uma cantiga daquelas que não sai. Amizade também é espontânea, não é só a paixão que é momentânea. Nem sempre tem enredo nem esconde segredo.
A amizade é tão simples quanto complexa, porque é densa, mas não adensa o que não condensa e nos dá paz.
A amizade boa nunca envelhece, como o amor vivo permanece. E acontece. Basta querer. Amar sem saber e deixar acontecer.


Nota de redacção:

Já fui pessoa poupada em afectos. Serei ainda, às vezes. Não tenho o beijo ou o toque ao desbarato na algibeira, mas noto-me cada vez mais extravagante.
O que de melhor podemos fazer é permanecermos nas amizades. Não como quem busca consolo, mas como quem encontra paz.
Os amigos só nos traumatizam quando não o são. Sendo. São-no sempre. E não tem a ver com o número, tem a ver com a qualidade humana e o princípio é simples. Só se recebe na medida do que se dá. Não se poupem.

8.6.17

Como????Onde????Quando????


A maior Zara do distrito de Braga vai abrir em Guimarães???

Oh diabo!!!! O cartão até vai chorar.
Brincadeirinha, homem, isto nem me interessa nada. Tipo, estou grávida. Tenho mais 10 quilos no lombo. Quero lá saber que a maior Zara do distrito abra no Espaço Guimarães. Aliás, até me deprime. Quem é que quer saber de compras quando as temperaturas convidam a programas familiares, na praia ou no campo, crianças a quem chamamos vezes incontáveis para colocar protector e que mesmo assim chegam ao final do dia mais queimadas do que os pimentos do S. João, mantas estendidas, insectos paraquedistas, geleiras carregadas com toneladas de minis que nem posso beber... A sério...tenham lá vergonha.

(Dia 10 é quando mesmo?).

7.6.17

O sexo.


Estão a ver o tão afamado instinto maternal? Esqueçam. Não se armem em ecógrafos e parem de ler fóruns brasileiros de maternidade.
Euzinha, podia jurar por todas as alminhas que estava à espera de um rapaz. É que estava absolutamente convencida disso. Porquê? Porque sou mãe. E as mães sentem. Porque enjoei menos. Tive azia mais cedo. Menos fome do que nas gravidezes anteriores. Estava a engordar menos, também. Mas, havia lá alguma dúvida que ia experienciar a maternidade no masculino?!Até já estava a projectar toda uma divisão ao estilo Marvel, cheia de action figures.
Mais ridículo ainda, completamente cega pela minha presunção adivinhatória despachei roupa de menina, "podes colocar aí na caixa das oferendas, já não vamos precisar disso".
Ainda antes das 12 semanas, o meu ginecologista avançou, sem certezas, que deveria ser outra menina.
Na primeira ecografia, foi possível colocarem o sexo da criança em percentagem, "diria que é uma menina...80%... mas já me enganei".
O homem que até aqui jurava por todas as matrioskas que era uma menina, passou a acreditar na regra que confirma a excepção. A cria passou a ser menino. Até que para gáudio das três gajas que já temos em casa, o ginecologista imprimiu a sua vagina para que se dissipassem as dúvidas.
A modos que a quem dei roupa das minhas criaturas é favor devolver. A gerência agradece.

30.5.17

#Jamor


Nunca tinha ido ao Jamor. Fui, a primeira vez, grávida numa proporção considerável para causar alguns incómodos e desconfortos.
A saber:
- a quantidade de urina acumulável num percurso de 300 km até Lisboa.
- a dimensão do veículo manifestamente insuficiente para uma gestante e o progenitor da sua cria com mais de 1.80m.
- o percurso desde o estacionamento até ao estádio, parecia a escadaria de Nossa Senhora da Penha no Rio de Janeiro.
- o homem com acessos de bipolaridade, "foda-se para a próxima ficas em casa" e "vá bebé, eu ajudo, é só mais um bocadinho". E tu agarrada à barriga a imaginares-te com 9 centímetros de dilatação.
- toda a gente a enfardar cerveja e a subir para o tecto dos autocarros e tu sentada num tronco cheio de resina onde o teu rabo já mal cabe.
- a entrada para o estádio. Ocorre-me a cena do Rei Leão com a manada em debandada que resulta na morte do Mufasa.
 - depois de subir a escadaria da Penha debaixo de sol com uns 40 graus eis que chove. Olha tão giro! Jogo molhado, jogo abençoado. Até dá para um cântico "e a chuva para nós é sol...e a chuva para nós é sol...". Isto é épico! Parece um filme do Mel Gibson. A chuva, os cachecóis abertos, o hino do Vitória, as senhoras com o cabelo e as tshirts molhadas...ok. Foi giro, dá para voltar o sol? Atingimos o nível de tolerância à chuva...Como assim não dá? Já cantamos o hino, já gastamos as baterias dos telemóveis a fazer vídeos. Esta é a parte em que é suposto o sol voltar.
- e mais fritos, de mala aberta na berma da estrada. Azia!!!! Refluxo gástrico. E ainda pior benfiquistas a buzinarem nos carros.
- a quantidade de urina acumulável num percurso de 300 km até Guimarães.
 - já disse que voltei encharcada?
- a dimensão do veículo manifestamente insuficiente para uma gestante e o progenitor da sua cria com mais de 1.80m que ainda por cima ressona.
- oscilação de humor típica da gravidez porque repetia a experiência, mas desta vez ia de monovolume e trazia, além do orgulho, a taça.







25.5.17

A (im)possibilidade do nosso amor.



Falaram-me de alguém que não sendo adepto de futebol era um fervoroso apoiante do Vitória, assíduo nos jogos em casa e fora. Alguém apaixonado pela paixão dos vitorianos e que ainda por cima não era de Guimarães, nem de Portugal. Tinha o mote para o que poderia ser uma boa reportagem. Depois de aceite pela direcção da revista avancei para o contacto. Uma mensagem profissional por facebook a propor a entrevista. A resposta foi devolvida no mesmo registo. Rapidamente agendamos a conversa para dali a dois dias.
Não voltei a pensar no assunto e confesso que na manhã daquela sexta-feira de Maio até achei que não fosse aparecer.
Usei um vestido branco que gosto muito. Giro e confortável para um dia quente, como o de ontem e o de anteontem.
Cheguei primeiro. Não esperei muito até que o vi entrar (também me lembro da t'shirt que usava) e dirigir-se a mim de braço estendido. Com duas sílabas disse-me o nome com uma pronuncia bem portuguesa. E ocupou o lugar à minha frente.
Contou-me da viagem da sua vida. Voltou à Rússia. Comoveu-se. Falamos de desporto e alimentação. De Guimarães e do Vitória também. Falamos coisas que não verbalizamos. Achamos naquela hora que tínhamos suspendido o tempo, mas os minutos continuavam a contar como nos lembrava o telemóvel dele que não parava de tocar e que ele silenciava.
Acabamos por sair com uma pressa disfarçada. Novo aperto de mão na despedida.
Saí dali e fui correr. Ele foi trabalhar.
Não acredito em impossibilidades, muito menos na impossibilidade de um amor. O nosso seria impossível para muitos. Chegou a ser para nós também. Naquele Sábado que figura agora entre os momentos mais bonitos, apaixonantes e cinematográficos da minha vida, despedimo-nos entre lágrimas e mensagens pirosas. Por instantes, julguei que jamais o veria, como nunca o tinha visto até à entrevista. Mas, entre um soluço que silenciei com uma lufada de ar profunda nos pulmões, vi-o abalroar o acesso a minha casa.
 - Foram insuportáveis os segundos que me vi sem ti - disse-me num tom baixo e sereno.
E eu...também quis mais. Mas, não foi fácil (às vezes, ainda não é). Precisamos de bíceps olímpicos. E de tantas vezes me alongar nos músculos dos seus braços e aí fazer moradia por baixo de um céu estrelado encoberto em melancolia, vontade e gás a fervilhar das duas garrafas de minis agitadas.
Amores impossíveis? O amor sincero é livre de protocolos.

PS: mais noites e mais fotos como esta mesmo que agora bebas sozinho.

23.5.17

12 ANOS!


Estão só na entrada da garagem. Mais à frente há um estendal com roupa a secar e juro que antes deste banho público ao estilo Paris Hilton embriagada andavam a embalar nenucos. É a esquizofrenia da pré-adolescência.
A Carolina, por exemplo, acordou decidida em fazer de mim a sua melhor amiga, mas tenho dúvidas se ao deitar não serei persona non grata.
Resolveu, com os 12 já feitos, que me beijaria ao despedir-se e sempre que a recolher na escola. Anda a desperdiçar abraços. Enrola-me os braços sempre que nos cruzamos nos trilhos da casa. Nesses instantes de corpos fundidos percebo que são escassos os centímetros que nos separam. E o biquini que exibe na foto ainda o usei no Verão passado.
Mais importante que lhe pedir emprestadas as sapatilhas de marca é perceber que sou uma mãe orgulhosa da sua cria, até porque beijos e abraços não se poupam.

11.5.17

Já pariste? Perguntam vocês.


Comecemos por responder à mais frequente das questões. Sim, continuo a usar saltos. E, podendo, tenciono fazê-lo até ao fim. A minha barriga, muito embora não denuncie imediatamente a gestação, já é grande o suficiente para ocultar outras partes do meu corpo e como tal sinto-me redonda que é como quem diz, gorda. Já cá cantam seis quilos a mais às 20 semanas. Boas notícias senhores, boas notícias. Seria épico na outra metade que falta acrescentar apenas outros tantos. A ver vamos.
Por estes dias sinto-me uma adolescente. Sem o rabo duro, sem as mamas espetadas e sem a ilusão que posso mudar o mundo. Se pudesse, aliás, circunscrevia o meu mundo aos 20 m2 do meu quarto e a única coisa que mudaria, enquanto aviava sacos de amendoins, era o canal da televisão.
Choro ao ver os peregrinos chegarem a Fátima. Choro ao ver cantar o Salvador. Choro a ver o Marley e eu. Esta merda não é normal.
Por outro lado, são cada vez mais frequentes e perceptíveis os movimentos da pequena criatura que engoli. Gosto de pensar que este ser é um guerreiro - receei muito perde-lo nos primeiros três meses da gravidez...ainda receio - que vai ser abençoado com o melhor da mãe e do pai. E que carrego em mim alguém muito especial.
A Constança está solidariamente grávida. Inclui o bebé em cada desenho, adormece a acariciar-me a barriga e já o toma como uma pessoa. Pergunta-me se já sabe as letras e a cidade onde vivemos. Explico-lhe que teremos de lhe ensinar tudo.
A Victória começa a aperceber-se que vai ganhar um irmão e a alegria que isso representa. E a Carolina sente ciúmes. Não conseguiu ainda descortinar qual o seu papel nesta hierarquia fraterna.
A barriga começou a pesar e está cada vez mais difícil usar jeans. É bom que o sol brilhe.

20.4.17

Humor...de grávida.

Vestido Serendipity, 35 euros
(encomendas através do blogue ou do Facebook)


Estas são imagens da Páscoa e as linhas que se seguem deveriam fazer jus à sua beleza. Pois, não farão.
Estou cansada. Com sono. Ardem-me os olhos. Pesa-me o baixo ventre. Perdi a conta às vezes que já me levantei para fazer xixi e hoje nem tempo tive para almoçar devidamente.
Acho que alguém devia repensar a expressão "humor de cão" e substituí-la por "humor de grávida".

12.4.17

Nem toda a grávida é uma grávida feliz!


Daqui a cerca de uma hora tenho uma consulta no meu médico assistente que me permite aquele acompanhamento básico, ainda assim, importante. Vamos medir as tensões e a barriga; ver o ph do xixi...  subir para a balança (!!!!)...Confesso que estou confiante. Ontem comi uma bola de berlim, mas tenho-me portado bem, sem excessos e sem a compulsão por comida que senti nas gravidezes anteriores.
A semana passada aproveitei também para começar, de forma muito moderada, a treinar. E foi o suficiente para, praticamente, não me mexer nos dias seguintes.
Estou na melhor fase da minha gravidez. Não sinto qualquer enjoo e a azia desapareceu. A barriga começa a notar-se cada vez mais, mas ainda não incomoda. Continuo a dormir na posição em que me apetece e a caber em toda a roupa, embora este Verão antecipado convide ao uso de vestidos frescos e confortáveis.
No entanto, grávida que é grávida, não tarda a queixar-se da escassez de indumentária. Porque a barriga não vai ser sempre assim fofa, brevemente vai ganhar proporções monstruosas. Vou começar a arrastar-me à medida que ela aumenta. Vou retirar anéis porque os dedos vão inchar. Vou sentar-se sempre de pernas abertas e o meu nariz vai ficar o dobro. A criatura que carrego vai achar por bem iniciar uma exploração minuciosa das minhas entranhas e vou sentir os pulmões chegarem-me à boca.
A gravidez é, sem dúvida, um estado de graça e vale cada sacrifício, mas não é fácil. De todo.Além das mudanças físicas, da sensação de nos sentirmos estranhas no nosso corpo, de não podermos usar aquilo que gostamos, do inevitável aumento de peso ao qual acrescentamos as alterações emocionais, tipo chorar ao ver uma andorinha, sentimo-nos, no início pelo menos, como se estivéssemos doentes. Na gravidez da Carolina, a primeira, lembro-me perfeitamente de perguntar à minha mãe se nunca mais me iria sentir bem.
Nem toda a grávida, apesar de consciente da decisão de ter um filho, é uma grávida feliz. A boa notícia é que passa a voar (ainda ontem comentava com o homem que estou praticamente a meio!) e depois de termos a criaturinha nos braços esquecemos aquela manhã em que vomitamos 30 vezes ou da noite em que embatemos de frente na parede numa das 20 viagens à casa de banho.
Eu, por agora, espero apenas não deixar a balança a chorar.

5.4.17

Queremos mesmo produzir filhos tiranos?


Ontem improvisamos o jantar. Bacalhau com broa para os adultos e nuggets com arroz para as crianças. Além disso, ainda as brindei com batata frita e permiti-lhes a loucura de as mergulharem em ketchup.
Tínhamos sopa também, recusada pelas três.
Quando me preparava para me sentar depois de não sei quantas vezes ter ido ao frigorífico, à gaveta~dos talheres e ao microondas, deparo-me com as duas mais pequenas a pedirem ovo estrelado. Respondi-lhes que não, que os ovos não estavam previstos e que ia, finalmente, sentar-me também para comer. Ao que o homem interfere para me questionar, "porque não lhes estrelas uns ovos? Só fazem bem!".
Respirei fundo e ainda cheguei a colocar o tacho no fogão. Mas, respirei fundo, outra vez, e disse, "não! Têm sopa. Que também faz bem e vai saciá-las se o jantar não lhes for suficiente". Ele concordou comigo, mas ambas torceram o nariz. Ainda assim, terminaram com um belo creme de legumes.
Sem exageros, eu diria que isto é educar. É sermos muro que não verga ao bel-prazer dos nossos filhos. Ou, pelo menos, não verga sempre porque também defendo que não ama quem nunca disse não e permitiu o sim, como tudo na vida com a devida dose.
Também no final de semana reencontrei familiares com quem há muito não privava. Um deles, meu primo, destacava-se pelo respeito que impunha às filhas. Era quase sempre criticado pelo excesso de autoritarismo, mas desta vez, desabafou comigo sobre como não conseguia impor limites ao neto e sempre que o tentava fazer levava com a reprimenda da mulher. "Não grites com o menino" nem quando joga à bola dentro de casa ou num acto desafiador te levanta a mão.
Imediatamente, lembrei-me do livro do psicólogo Javier Urra, "O Pequeno Ditador" que por acaso, ou nem tanto, já atingiu a 18ª edição.
O terapeuta acabou agora de lançar "O Pequeno Ditador Cresceu" e mais uma vez refere o que ele considera serem os "pais helicóptero" sempre a supervisionarem a criança, aflitos ao menor "aiii", preocupados para que não caiam, não sujem, não esfolem, não chorem, não comam terra. E neste capítulo, é tão mais seguro tê-los sentados no sofá agarrados ao ipad ou colados na TV.
Esta geração de pais - onde pela idade também me incluo - sobremima os filhos e tem a presunção de achar que os pode proteger sempre. Pois, haverá um momento em que a criança se vai equivocar e sentir um rei, ou rainha. Os nossos filhos são tão importantes como os outros. Não são menos, mas também não são mais. E é com base nesse pressuposto que devem ser educados.Para se tornarem adultos de bem.
Ao contrário do que acontece em países como Angola ou Quénia em que é impensável uma alteração das regras da casa e da estrutura familiar, nos países europeus passamos de um autoritarismo exacerbado pela figura do pai para uma deturpação imperdoável das hierarquias. E se o permitimos, teremos que estar prontos para no futuro pagar uma cara factura da nossa fraqueza. Porque, achamos nós, que para ganharmos o carinho dos filhos temos de nos deixar manipular por eles.
As crianças precisam de limites para evitar que se tornem tiranas e nos releguem para o papel de escravos.
No livro Javier Urra escreve que "há crianças com menos de sete anos que dão pontapés às mães e estas dizem isso não se faz enquanto sorriem". Eu já vi. Atrevo-me a perguntar quem não viu???
Querer e amar um filho não é dizer sim a tudo. Muito pelo contrário.
A minha pergunta é: queremos mesmo produzir filhos tiranos que se presumam mais do que os outros?
Eu, grávida do terceiro, definitivamente não quero!

24.3.17

Coisas sérias da gravidez.


Soube que estava grávida no dia 29 de Janeiro.
A verdade, é que logo após a concepção percebi mudanças nas mamas. Alterações evidentes que fui desvalorizando porque era ainda demasiado cedo para confirmar a gestação.
No dia 29 de Janeiro - sem estar ainda com atraso menstrual -  pressionada pela Carolina, fomos ambas à farmácia comprar um teste e fechámo-nos as duas na casa de banho. Não estava em atraso e nem sequer era a primeira urina do dia. E o resultado foi claro. Inequívoco. Recolhi o teste porque a Constança fazia questão de ver.
A minha maior foi a primeira a saber. Menos de 60 minutos depois, sustentada pelos seus quase 12 anos, desatou num pranto. Entende as mudanças que um bebé acarreta. Receia a chegada de um novo elemento. Já vê para além do lado puramente romântico.
Souberam primeiro as três meninas do que o pai. Reservei a partilha para o dia seguinte, Sábado, num jantar a dois (mais tarde partilho convosco).
Nessa sexta-feira senti-me especialmente serena.
Na gravidez da Constança, aquando da primeira ecografia, já realizada no hospital que serve para despistar o risco de trissomias e má formações não voltei a esquecer as palavras do médico, um tipo novo, com aspecto de estagiário e talvez pelo ar inexperiente, achei-as totalmente despropositadas. Disse-me ele enquanto me percorria o útero com o ecógrafo, "normalmente as coisas correm bem, mas há excepções".
Na minha segunda gravidez, salvo o parto, não testemunhei nenhuma excepção. A gestação foi absolutamente normal, sem nenhum sobressalto.
Agora, grávida pela terceira vez, acabadinha de terminar o primeiro trimestre, começo a respirar de alívio.
Nos primeiros três meses tive quatro sangramentos e estive três vezes no hospital. E as palavras do estagiário ecoam-me na cabeça, "normalmente as coisas correm bem, mas há excepções".
A primeira vez que perdi sangue foi de madrugada. Não tinha mais de seis semanas. Esperei que amanhecesse para ir à urgência. Foi difícil porque com tão pouco tempo de gestação não tinha ainda visto o bebé e temia pelo que encontrariam. Mas, encontraram-no. Apenas um ponto que tremia (o coração é o primeiro órgão a formar-se). E a confirmação. Feto com batimento compatível com seis semanas de gestação e a conclusão que estava tudo bem. Nem sombra de descolamentos. Nada que justificasse a perda de sangue. Então e...? Mas, não pode ser...Sou absolutamente insuportável. Não baixo a cabeça e me resigno perante a pressa de me mandarem embora porque lá fora aumentam o número de pulseiras amarelas.
Saí do hospital sem nenhuma recomendação. Nada! E com a certeza que estava tudo bem.
Liguei imediatamente ao meu ginecologista que por essa altura não estava em Portugal que me recomendou repouso.
No dia seguinte, sexta-feira, aproveitei para tirar o dia. Estava novamente deitada quando senti mais uma pequena descarga de sangue. Chorei como uma Madalena. Sucumbi. Atirei a toalha ao chão.
Por telefone, o meu ginecologista aconselhou que me deixasse estar. Não valia a pena correr para o hospital outra vez, quanto menos mexesse melhor. A recomendação era esperar e confiar.
Passou uma semana até que mais uma vez, em modo descanso, voltei a sangrar uma quantidade um pouco maior. Esperei pela manhã seguinte e lá recorri outra vez à urgência com o coração nas mãos convencida que daquela vez tinha perdido o bebé.
Mas, afinal não. A pequena criatura lá continuava cheia de pujança e cada vez maior. Comovi-me. Mais uma vez, nada, nenhuma razão clínica que justificasse as perdas.
Finalmente, há um mês estava eu no Afonso Henriques a ver o Vitória - Moreirense, feliz da vida, em vésperas de gozarmos uns dias de férias de Carnaval, quando me dou conta, não de uma perda de sangue, mas de toda uma enxurrada. Parecia que tinha sido baleada. Começo a entrar em pânico. O estádio cheio e eu ali a esvair-me em sangue. Saímos o mais rápido, e discretamente, que conseguimos, e corremos para o hospital.
Tinha perdido uma enorme quantidade de sangue. Estava apavorada. Aqueles minutos em que nos despimos e o médico vai tranquilamente ligando o ecógrafo são penosos. Doutor e se o meu bebé já não estiver aí...? Fale sempre comigo. Diga-me logo o que está a ver. Agarrada à mão do homem, (o meu) suspirei e ouvi, "pronto... feto com batimento, nove semanas de gestação. Está tudo bem". E lá continuava o pequeno, cada vez mais cabeçudo, indiferente a tantas ocorrências. Nada que justificasse o sangramento. Percorreu-me o útero a pente fino e tudo na perfeita normalidade.
Não voltei a sangrar. E fico muito agradecida se assim continuar. Durante a gestação o útero tem muita irrigação sanguínea e qualquer movimento, inclusive do próprio saco gestacional, pode romper um vaso e originar perdas de sangue.
Cerca de 40% das mulheres grávidas experimentam um episódio de sangramento no primeiro trimestre da gestação e deste número, metade acaba por abortar espontaneamente.
Graças a Deus virei o primeiro trimestre. O meu sacaninha está bem. E eu também.

23.3.17

Oh valha-me Deus que engoli um bebé!


Dizia-me ontem a Constança: "tens um bebé dentro de ti!!!! Acreditas numa coisa dessas???? Como é que isso é possível mãe????? Um bebé?????". A mais nova manifesta a estupefacção de uma criatura ganhar vida na barriga da mãe e nós mulheres, acostumadas que estamos aos nossos super poderes tendemos a desvalorizar o milagre de dar(mos) vida.
Gravidez não é doença. Não é. Pelo contrário. Mas, passamos mal como se estivéssemos doentes. Vomitamos. Desmaiamos. Estamos sempre cansadas e com sono. Frágeis. Choronas. Vulneráveis.  Eu, por exemplo, fui mais vezes ao médico nas minhas gravidezes do que em toda a minha vida. Há uma pessoa a crescer dentro de nós!
Há, uma pessoa a crescer dentro de mim!
E agora vamos lá ao que interessa. A criatura apesar de cabeçuda é perfeitinha. Dois braços, duas pernas, todos os dedinhos. O cérebro, de resto, é bem visível na imagem, é óbvio que herdou da mãe a grande quantidade de massa cinzenta. Reparem no traço fino daquele nariz. E tudo que é órgão confere. Graças a Deus!
Virámos o primeiro trimestre com mais quatro quilos no lombo o que é algo de extraordinário, mais ainda quando nos primeiros três meses estive impedida de praticar qualquer tipo de exercício.
Só vomitei umas quatro vezes, um absoluto récorde quando comparado com as gestações anteriores.
Sabemos 80% do sexo da criança, mas reservámo-nos ao sigilo que implicam os outros 20%.
A modos que é isto. Estamos bem e recomendámo-nos.

20.3.17

7 ANOS!






De repente, a minha pequena que ainda dorme em posição fetal e com as mãozinhas debaixo do rosto, fez 7 anos! 7 anos!
Piorou a compulsão por chocolate. Aguçou a inteligência. Manteve a vaidade. Abusa da elegância. Perna comprida. Tez morena. E aquela voz ainda de bebé quando me liga. Já envia SMS com uso abusivo de emoji.
Não seria capaz de pedir mais e se pudesse escolher nada lhe chegaria aos pés.
Parabéns minha bomboca de framboesa.


PS: um agradecimento especial à Ana da Bolos com Encanto e ao São Pedro que nos permitiu uma tarde primaveril em ambiente privilegiado.

15.3.17

Este post podia ser uma salada russa...


Este deveria ser um post sobre meias, daquelas invisíveis que prometem fazer-nos as pernas sexys e morenas. Todas as manhãs, quando me enfio numas da espécie e rasgam ao primeiro toque do meu mindinho juro, por todas as almas, que me vingarei sob a forma de palavras hostis. Mas, depois engulo o pão que acompanho com a meia de leite, actualizo-me no primeiro scroll do Facebook que, permitam-me o desabafo, está cada vez mais insuportável, ontem mesmo removi para cima de uma dezena de amizades, pessoas que devo ter adicionado em 2007 e ainda não entendia o propósito da coisa, mas é só a mim que está a acontecer isto? Ocorrem-me os piores pensamentos quando no feed me aparecem coisas do género "o que faz bem a uma crise de vesícula? tou que nem posso" ou "nem sempre os olhos fechados dormem. Nem sempre os olhos abertos vêem"... enfim.
Está aí o Dia do Pai que é sempre uma data fofinha e agora com o Facebook - here we go again - é vê-los bradar aos céus os super poderes dos respectivos progenitores. A verdade é que já não se escrevem postais ou folhinhas perfumadas como as que eu escrevia ao meu pai. Já Saramago disse, numa carta ainda pode cair uma lágrima, nunca num email ou post - acrescento eu. Bom, mas também não pretendo bancar o velho do restelo e amaldiçoar a evolução dos tempos.
Eu já não compro postais e há muito perdi as minhas folhinhas perfumadas. Há alguns anos deixei de comprar canivetes suiços. Fui mãe, pela segunda vez, vai fazer sete anos no próximo Dia do Pai e honro-lhe a paternidade com a minha maternidade.
Honro-o também com imagens como estas, locais que conheci com ele. Sem GPS. Sem auto-estrada. Roteiro numa folha A4 e mapa de Portugal aberto no tablier, máquina fotográfica ainda com rolo. Foi, aliás, num destes sítios que me fotografaste a última vez.
Não foste sempre bom. Cometeste falhas. Fizeste-me chorar. Nunca te presumi perfeito porque se assim fosses não serias meu e meu foste sempre - ainda és - o melhor que tenho.